Eis o sonho de milhares de pessoas: A cidade.
"Tem certeza que quer ir? Aqui a vida é tão mais fácil, tão mais calma...Menos corpo e mais sua alma."
E a resposta já era de se imaginar, mesmo assim, a mãe da moça insistiu em perguntar, mesmo sabendo a resposta que ela ia escutar.
"Vou sim! Não tenho medo de prédio, do tédio e das dificuldades. Mas fique calma, eu sempre vou sentir saudades...Não te esqueço, não! Te ligo toda semana, nem que seja de um orelhão."
Chegando na cidade a moça quase caiu dura, sabia que tudo seria grande, mas não mil vezes a sua altura. Naquele momento se sentiu pequena por fora e enorme por dentro. Seu coração se encheu de esperança, mas sabia que a partir daquele momento não seria mais uma criança.
Deu duro, sofreu, chorou, trabalhou, estudou, se formou e venceu. Finalmente venceu! E tinha muito orgulho de dizer que estava lá, e ainda mais em dizer o quanto doeu.
Certo dia sentou em seu sofá e pensou: Até que a cidade não é tão ruim, não foi tão triste, tão sozinho...Cedo ou tarde a gente encontra um caminho.
E do lado de fora do apartamento dela havia vários outros. Cheios de sorriso indeciso, roupas caras e caráter barato. Muita gente com embalagem de leão e essência de rato. Não todos, é claro. A cidade também é cheia de gente boa, feliz, verdadeira...
A noite caiu e a rua ainda estava uma doideira.
E há quilômetros de distância, havia um coração apertado, uma lágrima que nunca secou... Uma mãe angustiada esperando por uma ligação que nunca chegou.
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