Tinha que ser logo ele? Eu neguei tanto a mim mesma afirmar a hipótese que me passou pela mente um milhão de vezes. Mas esta na cara! Não na minha, pois eu sei disfarçar muito bem. A verdade é que ele mexe comigo. Não sei se é o sorriso de malandro que ele dá e me olha como se eu fosse a mulher mais gostosa do mundo, aquele sorriso já é uma preliminar. Ou aqueles braços fortes, que por mais que eu me arrependa de mais uma vez ter cedido e ido até ele, impedem que eu sequer pense em voltar atrás. Essas atrações seriam super naturais já que o nosso caso é completamente carnal. Acontece que mesmo quando ele vai, porque ele sempre vai, ele acaba ficando de alguma maneira. E isso não é normal, não pra mim. Não com ele. Porque eu já sei que ele sabe me seduzir como se tivesse nascido pra isso. E sabe mentir, tão bem que às vezes eu custo a acreditar que minta mesmo. Ele me envolve e faz com que eu pense ser única, mesmo sabendo que há tantas outras, mas naquele momento não. Ele não pensa em responder a mensagem da gostosa da faculdade, não pensa na lasanha deliciosa que vai requentar quando chegar em casa e nem qual será a próxima roupa, perfume ou mulher, ele pensa em mim. Ele olha pra mim, pro meu rosto já suado e meu corpo colado no dele, me aperta forte e sorri, um sorriso que eu consigo ver nitidamente mesmo com tão pouca luz. E eu só fico torcendo pra que ele nunca goze, quero aquilo pra sempre. Quero por alguns minutos, alimentar a falsa ideia de que quando tudo aquilo acabar, o sorriso vai continuar o mesmo, vamos tomar banho juntos e ir até a locadora pegar filmes pra mesma noite, comer pipoca de panela e dividir uma caixa de bombom. Virei os olhos e acabou. De fato ele continuou sorrindo, mas pediu pra que eu tomasse banho logo pois ele tinha um compromisso mais tarde.
E já no banho, ainda respirando ofegante, um turbilhão de pensamentos confundiram minha cabeça e me encheram de respostas ao mesmo tempo. Eu queria aquilo de fato? Eu queria filhos com aquele sobrenome? Eu queria me preocupar com o tamanho das alianças ou rir forçado quando ele errasse no presente? Não! Eu queria justamente o que eu estava tendo. Eu era exatamente como ele, sem aviso prévio pra chegar ou ir embora, sem compromisso. E isso que me encanta... Sempre sabíamos como encontrar um ao outro, mas nunca sabíamos quando ia acontecer, quando não aguentaríamos mais e precisaríamos urgentemente daquilo que só um sabe dar ao outro. A graça do incerto é o que me encanta nele.
Queria conhecer outros sorrisos, outros braços, talvez não tão musculosos...Outros beijos e muitos outros orgasmos. Mas não naquele momento, naquele momento era só ele. Dei um sorriso de canto de boca explicitamente malicioso, desliguei o chuveiro e fui até ele. Deixei a toalha cair e disse: "Desmarca o compromisso, vamos de novo."
Ele sorriu maliciosamente como se aquilo fosse tudo o que ele queria ouvir. E aproveitamos da melhor maneira que podíamos, aquele momento tão gostoso e tão nosso, que não fazíamos ideia de quando aconteceria de novo, mesmo sabendo que podia ser quando a gente quiser.
E sim, ele mexe comigo! Mas de um jeito muito melhor do que a saudade daquela cama compartilhada me fez pensar.
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