segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Amor baseado em fatos reais.

"PIIIIIIIIIIIIIIII"
Aquele som estrondoso era o sinal da escola, hora do intervalo! Foi onde eles se conheceram.
Ela andava abraçada com uma garota de bons metros (Ahhhh... Eram realmente amigas, mas isso é assunto pra outra hora) e ele andava sozinho com seu fone de ouvido, ao mesmo tempo que parecia viajar com a música, parecia prestar atenção em tudo a sua volta, foi a primeira vez que ela o viu, ela gostou dele. Ele não tinha percebido sua presença, pelo menos era o que ela achava. Depois de alguns dias, ele saiu por alguns instantes do seu mundo musical e olhou pra ela, ela não percebeu, passou reto, nem se lembrava mais dele, ele gostou dela. Foi assim como tudo começou... mas já lhes vou adiantando que essa não é uma típica história de amor, mas daria um belo filme.
Eles se gostaram, mas não sabiam que um tinha gostado do outro, logo, queriam atenção. Ela fazia questão de passar bem perto dele, só passar, sem fazer nada, era tímida demais pra fazer mais que isso. Mal sabia ela que ele fazia a mesma coisa, e nesse joguinho, os dois trocaram olhares por inúmeras vezes e em algumas até deixavam um sorriso muitíssimo acanhado tentar sair, nunca deu muito certo. Mas pra quem pensa que eles estavam apaixonados ou pensavam um no outro antes de dormir, ou a qualquer hora do dia, esta redondamente enganado. Era só ali! Durante aqueles 20 minutos, depois daquilo ela flertava com outros garotos e ele ia atrás de esquemas com milhares de moças. Nem sabiam o nome um o outro, ela tinha medo que ele fosse mais novo, ele tinha medo... não tinha medo de nada. Houve boatos de que ele queria ficar com a amiga dela, a de bons metros. Ela ficou tão brava, mas não demonstrou, claro! Ficaram nisso por alguns meses, ela se gabava e dizia pra sua amiga que ainda ia pegar aquele "neguinho", ele comentava com seu amigo que achava que ela era lésbica.
Um dia ele finalmente criou coragem e sorriu pra ela, coincidentemente, ela sorriu para uma amiga que estava na mesma direção dele, o garoto se encheu de esperanças, até hoje jura que o sorriso foi pra ele. Ela perdeu o primeiro sorriso dele para ela.
Juventude Politizada do Brasil, todos os alunos deveriam estar nessa comunidade, ela, estudiosa que só, ia dar o ar de sua graça com suas publicações incríveis quando viu sua foto em miniatura. Era uma foto estilo 3x4, ele estava com um enorme sorriso e usando uma touca do reggae tão grande, que ela não se surpreenderia se chegasse ao tornozelo, era uma foto realmente horrível! Mesmo assim, ela não se importou, o convidou para ser amigo dela tanto nesse site pouco utilizado e bastante criticado hoje em dia, quanto num tal de MSN, ele aceitou em ambos e puxou assunto com ela, primeiro contato. Já sabiam um o nome do outro, grande avanço! Papo vai, papo vem: E a minha amiga? Ele não entendeu nada, nunca havia se interessado por ela e aquilo não passada de assunto de más línguas, menos mal. Ele a cantou em menos de 10 minutos de conversa, ela se fez de difícil, uma hora depois, ele havia posto e nome dela com um coraçãozinho no seu subnick, ela só colocou a inicial dele, era cedo demais pra essas coisas, mesmo sendo brincadeira, ele deixou só a inicial também, ficou algo mais ou menos assim no dela: F s2 e assim no dele: J s2. Depois desse dia, não pararam de se falar. Trocaram numero de celular, mandavam mensagens, se falavam pela internet, se cumprimentavam na escola, porém, ainda não havia nada além de interesse, um enorme interesse, mas não passava disso. Uma vez ele ligou pra ela, a primeira ligação, numa quarta-feira e a chamou pra ir ao cinema, na hora passou pela cabeça dela que ele havia esperado até quarta porque o cinema é mais barato, mas não falou nada, estavam nervosos. Ela não podia ir, moça de família, deveria avisar com antecedência à sua mãe que havia conhecido alguém e que fora convidada a ir ao cinema, mas disse que até sexta-feira eles poderiam sair, ele cobrou.
Sexta-feira! Dia do encontro! De manhã, na escola, se cumprimentaram normalmente mas nem tocaram no assunto, a tarde ele ligou, combinaram de se encontrar por volta das três na frente da escola, ela como sempre, se atrasou. Bom, estava óbvio que eles não iriam apenas ao cinema (que já haviam combinado filme, que sessão pegariam e tudo o mais), que eles não iriam só tomar um sorvete, eles iam se beijar! Essa palavra deixava ela com medo, mesmo tendo outras experiencias, sempre tinha medo do primeiro beijo com  uma pessoa, ainda mais quando estava tudo tão combinadinho daquele jeito. Eles se encontraram, ele estava se xadrez azul e ela de xadrez vermelho, ela achava incrível como ele conseguia combinar tanto qualquer roupa, entendia mais de moda que ela, que andava toda largadona. Assim que chegaram perto, se cumprimentaram e ficaram de todas as cores possíveis, sem saber o que falar, ela puxou qualquer assunto de ônibus e foram indo. No percurso até o shopping, ele tentou delicadamente, beija-la pelo menos duas vezes, ela virava e fingia que não era com ela. Ele se recompunha. O garoto não era de falar muito, na verdade não falava quase nada, isso a incomodava um tanto, a coitada sempre foi tagarela. Quando chegaram, ficaram meio perdidos, ela arranjava qualquer coisa pra fazer, só pra não ficarem sentados juntos, ela sabia o que ia acontecer, e queria que acontecesse, mas tinha medo, vergonha, só não demonstrava, parecia ser a garota mais segura do mundo, mas não era, nunca foi. Compraram ingressos, comida, foram ao banheiro, viram vitrines, ate que ela
-Esta bem legal aqui, né?
-Sim, mas poderia ficar muito melhor
A coitada tremia, sabe-se lá por que. Eles sentaram, conversaram sobre coisas aleatórias, ele estava começando a falar mais, mas nem ela tinha mais o que falar, se olharam por longos segundos e ele veio, ele a beijou. Foi estranho, ele estava trêmulo, ela se aproveitou pra tocar no cabelo dele, era realmente fascinante, acabou. Se olharam envergonhados 'Isso foi meio estranho' disse ela. Foi a coisa mais inteligente que a pobre moça conseguiu pensar naquela hora, se olharam, e constrangidos, se beijaram de novo. Depois do segundo beijo ficou tudo normal, até de mãos dadas começaram a andar, na sessão, mal viram o filme, era smack smack pra todo o lado, ele mordeu o nariz dela sem querer, riram muito, perceberam que quando estavam juntos, não paravam de rir, por qualquer besteira que fosse. Ela precisava estar em casa às oito, chegou sete e quarenta e nove. Foi a primeira vez que foram dormir pensando um no outro.
No dia seguinte iam a um parque, conversaram, se beijaram, se conheceram, riram, riram, riram, se beijaram, comeram, riram, não parecia que era apenas o segundo dia, na verdade era a unica coisa que não parecia. Eles iam andando do parque até uma praça perto da casa dela, ficavam juntos por um tempo e ele ia. Domingo, terceiro dia. Ele foi leva-la para a aula de teatro. Eram tão diferentes mas tão iguais.Eram filhos  únicos, tinham os cabelos mais lindos do mundo, lutavam pelos mesmos ideais, nunca haviam namorado, porém, ela gostava de MPB, ele de reggae, ela tinha beijado no máximo uma dúzia de garotos, ele beijou mais que 40, ela tinha que estar em casa as oito, ele não tinha hora pra chegar, ele estava apaixonado, ela fazia de tudo para isso não acontecer. Ela tinha medo, o garoto de antes não havia sido boa experiência, e quando ainda só se falavam por internet, ela o fez prometer que independente de qualquer coisa, ele não iria se apaixonar por ela, ele prometeu, mas as coisas não estavam indo como ele esperava, ela mexia com ele de uma forma que ele desconhecia, mas adorava.
Eles estavam juntos, não estavam namorando, estavam apenas juntos. Na escola ficavam separados, ela disse que não trocaria a amiga de bons metros por nada, mesmo assim, saiam juntos todos os dias, não conseguiam mais se ver um longe do outro. Certa vez estavam num ônibus voltando de um lugar muito longe e começaram a conversar e brincar como crianças, ele adorava fazer cócegas nela desde o primeiro dia, mesmo ela dizendo que detestava, ele dizia que queria sorrisos dela de qualquer jeito. Ela ria o máximo que podia e ele ria da risada dela que o deixava bobo, assim que parou, eles se olharam por alguns segundos de forma tão intensa... ela cortou com a pior pergunta que poderia ter feito naquele momento: Você não está apaixonado por mim, está? Ele pensou por um tempo e disse 'Não...' ficaram quietos, e ela sentiu medo de talvez estar sentindo o que tanto temia que ele sentisse. Ninguém podia se apaixonar por ela, ela era louca, fazia terapia, gostava de ficar trancada lendo, sentia nojo da maioria das pessoas, tinha ansiedade e depressão. Ninguém podia se apaixonar por ela, ninguém!
Ia fazer um mês que estavam juntos e ela já sentia um ciúmes de 5 anos, todos diziam que eles já estavam namorando, passaram o dia dos namorados juntos, ela lhe deu uma bela camisa vermelha, do jeito que ele gostava, ele tava zerado, não levou nada, ela nunca soube fazer média ou esconder o que lhe incomodava, ficou brava. Ele mentiu dizendo que deu o dinheiro para um amigo comprar e o amigo deu bolo, só piorou a situação, foi a primeira vez que ela disse que nunca mais queria saber dele, na verdade devia ser a terceira, quarta... ela era mimada, manhosa, orgulhosa... e ele tinha dentro de si uma tranquilidade que era de outro mundo. Ela mandou ele ir embora, e fez o mesmo sem olhar pra trás, ele a pegou pelo braço, se explicou e eles se beijaram, não tinham grana pra comprar nada muito bom pra comer, a câmera dela quebrou e começou a fazer frio, foi o pior dia dos namorados do mundo! Mas eles juntos, como sempre.
Um dia, bem no finzinho da tarde, ele a pediu em namoro, pouco mais de um mês do primeiro encontro, eles contam como aniversário de namoro, o dia que saíram juntos, o pedido foi só uma forma dele dizer: agora eu sou seu e  quero que você seja só minha, tá legal?' É claro que ela aceitou.
Eles eram o casal mais feliz do mundo.
Um dia ela começou a se sentir triste, culpada e segurou ao máximo, mas chorou pela primeira vez no colo dele, ele mal conseguia entender o que ela dizia no meio de tantos soluços e tantas lágrimas, ela estava com medo. Medo do que eles sentiam um pelo outro, deprimida, ansiosa, farta de tudo, ela sabia que poderia fazê-lo sofrer e que seria melhor acabar com aquilo tudo antes que os dois se machucassem, ela não ouvia uma só palavra do que ele dizia, quando se levantou para ir embora, após uma crise ele foi atrás dela, estavam na praça, a noite, e ele segurou ela muito forte, começou a chacoalhar seu corpo e disse: EU TE AMO! Foi a primeira vez que ele disse isso, ela já devia ter dito umas duas ou três vezes, a garota ficou sem reação, mas fez o que ele mais gostava que ela fizesse, sorriu.
Uma vez durante seus passeios, encontraram um bêbado que se achava vidente e disse que a única coisa no mundo que podia acabar com o amor daqueles jovens tão apaixonados era o ciúmes. E esse foi o principal motivo de inúmeras brigas e términos dos dois. Ele escondia o ciume ao máximo, ela ficava brava se uma garota desse oi a ele. Ele não era dos mais bonitos da escola, mas era envolvente, o mais estiloso, e as garotas, desde as mais normais até as mais cobiçadas rondavam a carne. Ela era bonita, mas não ligava, era muito fácil pra ela negar qualquer pedido ou fingir que não viu fulano olhando pra ela. Além do mais, ela nunca foi sexy, e os garotos gostam disso.
Eram o casal mais doido, e inconstante do mundo todo, mas eram completamente loucos um pelo outro. Ela terminava por qualquer besteira, ela sabia que ele viria atras dela, ele sempre vinha, mas algumas vezes não aconteceu bem assim. Ela teve que suar a camisa para reconquista-lo, mandou revelar fotos, foi à casa dele quando ele não estava e deixou porta retrato com a imagem dos dois no quarto dele, o levou para um restaurante, mandou cartas, ligou milhares de vezes e ele resistiu, ela nunca havia sentido tanto medo. Foi muito difícil conseguir aquele garoto de volta. Ele já a magoou demais, e ela já cortou o coração dele inúmeras vezes. Tudo entre eles era muito intenso. Ela chorava como se o mundo fosse acabar, ele ia atras dela onde quer que fosse, ligava de madrugada pedindo pra voltar... por mais intensa que fosse a briga, eles nunca conseguiam ficar separados por 1 semana, nunca chegou a tanto. O cheiro dele era suficiente pra enlouquecer ela, e o sorriso dela deixava ele de quatro. Iam embora, juravam nunca mais voltar, olhavam nos olhos um do outro e diziam que não queriam mais, desligavam o telefone na cara  e não atendiam o celular -na verdade a parte do telefonema e do celular só ela fazia. Ninguém nunca sabia quando eles estavam juntos ou não, o namoro era motivo de piada por um lado, mas de inveja por outro. Era muito difícil achar um casal mais cego de amores do que aqueles dois, mesmo brigando a cada cinco minutos, não concordando em nada, eles precisavam daquilo tudo e um do outro.
A mãe dele não gostava dela, nem um pouco, tinha ciume. O pai era calmo, na dele. A mãe dela tinha ciume demais no começo, mas passou a aceitar. A avó dela gostava dele, eles riam juntos. O tio dela achava ele gente boa. A avó dele tinha medo dela ser mais velha do que dizia. Os amigos dela gostavam dele. Ela preferia não manter muito contato com os dele.
Com o passar do tempo, eles amadureceram, iam juntos ao cinema, teatro, shopping, shows... ela assistia as peças que ela apresentava e ela baixava as musicas que ele gostava. Ele levava chocolates sempre que ela pedia, ela encheu a gaveta dele de cartas. Fotos? Era o que mais tinham, davam presentes um para o outro e faziam tudo que faria o amor sorrir. 
Ela foi a primeira dele em tudo! Primeira namorada, a primeira vez, o primeiro amor, primeiro choro pelo mesmo e vice-versa. Já tentaram separa-los, mas eles estão lá, firmes e fortes.
Até hoje ainda brigam, e muito! Mas riem depois... ele sempre recorre às cócegas, comem feito porcos, ela engorda, ele não. Assistem filmes, fazem planos, pensam em ter um filho, um cachorro, dois carros, uma casa, ótimos empregos e torcem acima de tudo pela felicidade do "nós" que eles formam.
Não conseguem ver a vida um sem o outro, do fundo de seus corações, não conseguem...mesmo!!!
Todos os dias ele se impressiona pelo fato de um simples sorriso dela acabar com todos os problemas dele, com a forma que os cachos dela conseguem ser tão perfeitos, como os pés dela são os únicos que ele consegue tocar, beijar e achar lindo, como ela briga com ele mesmo sendo tão mimada como uma criança, como ela consegue chorar por qualquer coisa e fazer ele mudar de ideia.
Ela se impressiona todos os dias com os três riscos que aparecem na bochecha dele quando ele sorri, na forma como ele inclina o pescoço pra falar, no jeito que ele olha pra ela, com as palavras e teorias que ele inventa, como ela pode passar horas e horas olhando pra ele e fazendo carinho sem se cansar e principalmente por ele ser a única pessoa no mundo que consegue estralar as costas dela, e da melhor forma que se pode fazer, com um simples abraço.
Eles se amam, e até hoje ela guarda uma foto 3x4 que roubou da carteira dele em sua carteira pra ficar feliz sempre que vê, e ele deixa o retrato deles na estante, pra todo dia já acordar sorrindo.





Nenhum comentário:

Postar um comentário