segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Meras lamentações

Cá estou eu, numa tarde fria de segunda-feira, na frente de um viciante computador.
Queria tanto que o tempo e as coisas fossem diferentes, as vezes, quando ouço histórias contadas pelos mais antigos me fascino, talvez seja mera impressão, mas creio que naqueles tempos as coisas fossem melhores e que viver fosse bem mais prazeroso. Se podia respirar ar, e não resíduos de poluição, se mergulhava em rios, lagos, lagoas, e mares descentes; havia mais cachoeiras do que tobogãs, mais arvores do que prédios, mais redes do que casas, mais saraus do que shows, mais afeto, menos foto, mais pinturas, mais contato, menos tecnologia e virtualização, mais proximidade, menos dentes, mais sorrisos, menos visões privilegiadas, mais olhares profundos, mais sentimento, menos colegas, mais amigos, mais vida! Poderia ficar horas comparando as diferenças que temos mas não, não fará diferença, tudo foi mudado, projetado para avançar mais uns degraus, e por fim ruir. Realmente não sei onde as coisas vão parar, ou talvez nem parem o que pode parar somos nós, é a vida. Há tanto o que se viver e ao mesmo tempo tantas lamentações, sinto falta de tudo o que tenho, pois tudo o que tenho esta distante, não sinto que seja meu, é emprestado, faço pose e me faço com o que finjo que é meu, mas, mais cedo ou mais tarde terei que devolver, e quando o dia chegar seremos só mais um resto de pó unido ao barro junto a tantos outros que já foram e sendo pisada por muitos que virão.. Bom, chega disso, vou voltar ao mundo, há muita tecnologia por aqui para eu gastar meu tempo escrevendo o que só seria ouvido e mudado se talvez fosse escrito há 1500 anos atrás.

(Jennyfer Rosa)